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VI Congresso APED marcado pelo sucesso

O Congresso “Crescer com o Consumidor”, iniciativa da APED que decorreu nos dias 3 e 4 de maio, foi marcado pelo sucesso e levou ao Museu do Oriente, em Lisboa, cerca de 400 participantes e reputados peritos nacionais e internacionais em distribuição, sustentabilidade, turismo e energia.

Presidente da República sublinha o papel do setor no arranque do primeiro dia

As palavras de Jorge Jordão, presidente da APED, e uma mensagem do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na qual sublinhou a importância do setor da distribuição para a economia nacional, deram início à primeira manhã do evento.

O programa continuou com a intervenção de Luís Amado, Ministro dos Negócios Estrangeiros entre 2006 e 2011, onde se falou sobres os desafios geoestratégicos da atualidade, desde a temática do terrorismo aos impactos da crise económica passando pela globalização. Qual será a razão para a falta de crescimento da União Europeia? Como combater o problema da estagnação? Será que a estagnação passa a ser a nova norma a considerar? Ou estamos perante um contexto de mudança estrutural profunda a nível global? Foram algumas das questões levantadas no decorrer da sua participação.

Nesta primeira manhã do Congresso APED decorreu ainda a mesa-redonda sobre petróleo, geopolítica e consumidores moderada por Nicolau Santos, diretor-adjunto do Expresso, com a participação de António Costa Silva, José Caleia Rodrigues, Manuel Santos Vítor, Miguel Monjardino e Paulo Carmona.

Cada interveniente perspetivou a relação dos Estados Unidos com os demais parceiros e concorrentes no acesso às fontes de energia; as mutações em curso, tanto do lado dos países produtores como dos consumidores; o domínio das novas tecnologias de extração do gás, associando a esta nova era uma geografia energética que relega para segundo plano, mais uma vez, a importância de África questionando as teorias sobre o declínio do Ocidente.

No encerramento desta primeira manhã teve início a análise específica dos desafios do retalho, protagonizada por Peter Fisk. O especialista em estratégia e fundador da Genius Works apresentou o tema “Gamechangers: new consumers, new business models, new solutions”.

Fisk falou de cinco formas de atrair os consumidores: apostar na rapidez e facilidade; apresentar um mundo mais humanizado e preocupado com os outros; desenvolver conceitos personalizados e criativos; apostar no social media e na partilha (como as redes sociais Instagram e Pinterest); fomentar as experiências reais. “Procurem a mudança, descubram como podem fazer as coisas de forma diferente”, afirmou. Peter Fisk terminou a sua intervenção com um conselho: “Be bold. Be brave, be brilliant”.

O novo consumidor em destaque no Congresso

A tarde de dia 3 de maio foi totalmente dedicada à análise do presente e do futuro do setor do retalho. Temas como o novo consumidor, o big data, meios de pagamento e sustentabilidade foram levados aos congressistas que marcaram presença no Museu do Oriente.

Com um conjunto de oradores de renome internacional, o painel “Retalho: as chaves de acesso ao Consumidor” levou aos participantes do evento importantes soluções e ferramentas para o setor.

Pedro Pina, Google Global Client Partner, com base na sua experiência numa das mais reputadas empresas internacionais, abriu este painel com a apresentação “Precision Marketing at Scale”. Destacou o conceito de micro-momentos – os “I-want-to-know moments”; “I want-to-go moments”; “I-want-to-do moments”; e “I-want-to-buy moments” – e sublinhou que, graças à crescente importância do online, “a presença digital consegue garantir tráfego nas lojas físicas”. Existe, assim, uma correlação direta entre consultar uma loja online, visitá-la e comprar produtos, afirmou.

Jean-Jacques Vandenheede, diretor europeu para pesquisas de retalho na Nielsen, foi o segundo orador da tarde. Focando-se no tema “YOU are the creator of your own destiny”, referiu que as preocupações dos consumidores hoje em dia focam-se em diferentes temas, como economia, preços da comida, instabilidade no trabalho, saúde e terrorismo. Vandenheede sublinhou ainda que em 2015, os consumidores portugueses gastaram mais 40% do que em 2006. E, por isso, o declínio do hipermercado é um mito.

Paul Lee, que lidera a área de pesquisa da Deloitte UK, com enfoque nos temas da tecnologia, media e telecomunicações, foi outro dos oradores desta tarde. No seu discurso, cujo tema foi “The outlook for payment: is cash doomed?”, referiu o facto de o smartphone ter cada vez mais poder nos dias de hoje. As novas tecnologias, para além da sua já massiva utilização, vão continuar em crescimento, principalmente por parte dos grupos etários mais jovens que dependem cada vez mais delas. De acordo com dados revelados pelo orador, jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos consideram o computador e o telemóvel como complementos, não como substitutos um do outro.

Carlo Ratti foi o último orador deste painel no primeiro dia do Congresso APED. O director do MIT Senseable City Lab, que falava sobre o tema “Senseable Food”, afirmou que “o digital não matou o físico. Na verdade, ambos coexistem”. Isto para mostrar que, apesar do enorme avanço da tecnologia e de esta estar cada vez mais presente na sociedade, ainda é possível assistir a uma convivência entre os meios contemporâneos e os tradicionais.

O encerramento da tarde de análise ao setor ficou a cabo de Tony Juniper, perito em ambiente e sustentabilidade, que destacou: “as empresas devem atuar: proteger as marcas e a reputação, mantendo-se no lado certo desta luta [de defesa do ambiente]”. Juniper acredita que a transformação já começou e a “sustentabilidade tornou-se o novo normal”. O Paris Agreement, por exemplo, é um dos projetos que contribuiu para estas mudanças cruciais. “Não basta dizer que nos preocupamos, é preciso mostrá-lo”, afirmou.

Do turismo à “perspetivas económica para o futuro” de Paul Krugman

As intervenções de Miguel Seixas, Vice-presidente da APED, e da Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, deram início ao segundo e último dia do Congresso APED.

Importante tema da atualidade, o turismo esteve em debate nesta manhã, numa mesa redonda moderada por Ricardo Costa, diretor-geral de Informação do grupo Impresa, e com a participação de Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Luís Araújo, Presidente do Turismo de Portugal, Luiz Mór, Vice-Presidente da TAP, e Renato Lira Leite, Managing Director of Global Blue Portugal.

Fernando Medina destacou que “o turismo é um tema que domina e é central na cidade de Lisboa”, tendo apresentando dados que o confirmam: o número de chegadas ao Aeroporto de Lisboa passou de 15 para 20 milhões em 3 anos.

Já Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, garantiu que o turismo é um dos grandes motores das mudanças no sector do retalho e o principal beneficiado de um retalho de qualidade. “Está como causa e efeito na área do retalho”, afirmou.

O vice-presidente da TAP, Luis Mór, destacou que “os efeitos do turismo são efeitos da globalização”. Assim, para que o turista goste da cidade, é necessário que os habitantes também gostem dela. No fundo, e tal como Luis Mór fez questão de referir, “temos de devolver as cidades às pessoas”.

Por sua vez, Renato Lira Leite, Managing Director of Global Blue Portugal, sublinhou: “o grande desafio do retalho é a adaptação e o conhecimento dos turistas”, sendo por isso necessário perceber como acolher turistas, tentando adaptar a cultura de forma a conseguir mantê-los interessados ao país.

O setor do retalho e distribuição esteve ainda em análise nesta manhã com a intervenção de Allan Noddle, Non-Executive Chairman Board of Directors da Winery Exchange Inc. “Future of Private Brands” foi o tema em destaque e Noddle começou o seu discurso por afirmar que há desafios tanto para fornecedores, como para retalhistas e consumidores. No caso dos fornecedores os desafios centram-se no baixo crescimento, pressões de ativistas e stakeholders, consolidação e cortes de custos. Para os retalhistas os problemas são, entre outros, a concorrência intensa, consolidação e pressão de margem. Já os consumidores rejeitam as marcas nacionais, não adotam as estratégias do marketing de massas e exigem rapidez, eficiência e conveniência.

Perto do final do VI Congresso APED, subiu a palco o seu keynote speaker: Paul Krugman. O Prémio Nobel da Economia apresentou “Uma perspetiva económica para o futuro”. Krugman afirmou que a “austeridade ensaiada” pretendia relançar a economia, propiciando níveis de crescimento financeiro, o que não se veio a verificar, pois os níveis de austeridade foram deveras mais severos que necessários tendo como efeito uma depressão mais significativa. O professor concluiu que, apesar deste contexto, o pânico já passou e a incerteza foi contida devido à forte liderança exercida pelo BCE.

As conclusões deste VI Congresso APED estiveram a cargo de Ana Isabel Trigo Morais, diretora-geral da APED. O Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, encerrou os trabalhos.

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